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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Resquícios da folia

Tecnicamente o carnaval já acabou. Mas aquele torpor que dá depois de ficar tantos dias de bobeira ainda não. A preguiça é grande, mas não posso abandonar este bloguinho à sua própria sorte. Tecerei, então, alguns esparsos e desleixados comentários sobre acontecimentos dos últimos dias.

Meu carnaval foi ótimo, sé é que alguém pretendia perguntar-me. Comi, bebi e namorei muito bem, obrigado. Li um bom livro – Delacroix Escapa das Chamas, de Edson Aran, indico fortemente, em especial para os amantes de cinismo, sarcasmo e sci-fi. Não vi um filme que preste sequer.

Depois de anos, vi (parcialmente) o desfile das escolas de samba. Em HD fica realmente mais palatável. Mas sou das antigas, sinto falta da mulherada pelada. Sem isso, aquele desfile fica meio sem graça, pelo menos para mim. A escola que mais apreciei terminou ganhando. Bom pra ela.

O Arruda está preso há mais de uma semana. Um recorde, em se tratando de políticos corruptos neste país. Mas como perguntar não ofende, eu queria saber: por que só ele? Só o mensaleiro do DEM vai em cana? O escândalo dele explodiu em novembro do ano passado. Menos de três meses depois, já tem nego preso, um monte exonerado, vai rolar impeachment... E os mensaleiros do PT, cujas primeiras denúncias vieram à tona em junho de 2005? Alguém sabe, alguém viu? Alguém foi preso? Cassado? Impichado? Multado? Alguém ralhou com algum deles? Um tapinha que seja nas costas da mão, tipo assim, “menino, aiaiai, não faz mais isso”? Nada como morar num país sério, não é?

E o Botafogo, finalmente, conseguiu ganhar uma do Flamengo. Isso só poderia acontecer mesmo numa quarta-feira de cinzas. E olha que o Fla nem jogou tão mal assim. A partida foi animada, o Flamengo andou perdendo alguns gols, mas terminou derrotado pelo jogo aéreo dos chororenses. Também, colocar Álvaro e Angelim, uma dupla de anões de jardim, para marcar o tal do Loco Abreu que tem três metros e dezoito de altitude, não poderíamos esperar coisa muito diferente lá atrás. O que não funcionou mesmo foi o Império do Amor, mas isso também já era esperado após tantos dias de folia e brincadeira. Vida que segue. Só a Libertadores e o cume interessam.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Isso é Fla x Flu

Não sei nem por onde começar. O que se viu há pouco no Maracanã foi um daqueles jogos para ficar eternizado na memória da torcida, tanto dos vencidos quanto dos vencedores. Parabéns aos 55 mil felizardos que presenciaram esta partida épica, antológica, pois essa já está escrita na pedra, já entrou para os anais do clássico mais importante do país.

O Fluminense (me recuso a chamá-lo de Fluzículo hoje, diante de tão valorosa participação nesta vitória transcedental do Mengão) fez um primeiro tempo quase perfeito. A molecada colocou o Fla na roda de uma maneira constrangedora. Maicon, Alan (craques, esses dois, olho neles) e Julio Cesar fizeram gato e sapato de um Flamengo atônito, batendo cabeça, que não encontrou em nenhum momento um jeito de parar o carrossel tricolor. Até o carniceiro Diguinho, que, por mim, já teria sido banido do futebol, jogou muita bola. A tricolada deitou e rolou, fez três, poderia ter feito outros três e ter descido ao vestiário no intervalo com a partida ganha. Mas não o fez, tomou unzinho de penalty, cobrado de maneira gélida e cerebral pelo Adriano, e a primeira etapa terminou com injustos 3 a 1 para o Flu, pois era pra ter sido de bem mais.

Neste momento, recebo a seguinte mensagem de meu amigo Marcelo (desculpe a indiscrição, camarada, mas é por uma boa causa):

"Vc tá vendo pq eu não queria essa porra? Nem sei o que eu faço com essa merda. Desligo a tv? Foda-se. Vou ver a porra do vexame até o fim. abs.", praguejava ele comigo, pois o convenci semana passada a assinar o pay-per-view.

Esse, com certeza, era o espírito da grande maioria dos rubronegros que acabavam de assistir seu time ser impiedosamente massacrado por um bando de moleques. Não eu. Num inexplicável momento de placidez e clarividência, respondi a meu amigo:

"Calma que ainda tem muito jogo..."

Simples assim. Mal pude acreditar, minutos depois, em como eu estava certo.

Voltando ao Maraca. Naquele momento, era difícil imaginar que alguma coisa pudesse ser feita no vestiário que mudasse aquele cenário de tragédia. Mas uma coisa para mim era certa: o Fierro tinha que sair. Era o pior em campo, e foi uma verdadeira avenida para os velocíssimos meninos do Flu. Era o que eu achava com toda convicção. O Andrade não. Ele deve possuir algum tipo de visão sobrenatural que nós, pobre mortais que não temos seis títulos brasileiros, não temos. O mestre manteve Fierro, tirou Pet (que também estava mal, totalmente fora de jogo), e Fernando, e colocou os dois caras que mudaram a história da partida, Vinícius Pacheco e Willians.

Em oito minutos o jogo já estava empatado. O Flu, seguindo uma longa e asquerosa tradição tricolor, já entrou em campo catimbando e fazendo cera, e foi castigado com dois gols relâmpago que destruíram toda e qualquer auto-estima que houvesse sido contruída com a belíssima atuação do período anterior. A expulsão besta de Álvaro poderia ter acabado com a avassaladora reação do Mengaço. Apenas a refreou. O Fluminense, àquela altura, tinha muito mais perna; Cuca mexia no time colocando mais sangue novo; parecia questão de tempo para o Flu retomar as rédeas da partida e voltar a dominar o placar. Mas aí o Império do Amor decidiu jogar.

Love e Adriano já haviam feito um gol cada. Mas não estavam exatamente brilhando. Foi quando, em dois lances, o Imperador mostrou que estava vivo. Fez uma jogada daquelas de divisão Panzer no meio campo, passou por uns quatro tricolores na base da força e da técnica, levantou a torcida, mas a jogada não teve grandes consequências práticas. Logo em seguida, mesmo dando sinais de cansaço, deu um carrinho na lateral esquerda que impediu um contrataque do Flu e aí incendiou de vez a massa. Foi a senha para Vagner Love acordar e para o Fla definir a partida. Numa jogada impecável, Willians(esse cara não pode ficar fora deste time em hipótese) roubou uma bola, tocou para Love, que, após arrancada fulminante, enfiou limpa para Vinícius Pacheco. O garoto não foi fominha e presenteou Adriano que só completou para a rede. Gol de linha de passe, virada de campeão brasileiro. Isso matou o Fluminense, que dali em diante pouco fez, parecendo antever o pior. Pouco depois, Vinícius Pacheco (o nome do jogo, Andrade vai ter que achar um lugar pra esse rapaz no time) deu um preciso lançamento para Adriano arrancar, e, em jogada de sinuca, tocar milimetricamente no canto direito do goleiro, decretando os 5 a 3 no placar.

Salve o Império do Amor. Que venha o Olaria. Já sinto cheiro de tetra.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Happy friday

Você sabe que está tendo uma boa sexta-feira quando abre o jornal e lê que:

- Lula acusa o golpe, perde a linha, e chama o presidente do maior partido da oposição de babaca em plena reunião ministerial. Sorrio;

- Finalmente uma publicação estrangeira de renome resolve parar de babar o ovo do sapo barbudo e mete a porrada no filme-propaganda "Lula, o FDB". Segundo a Economist, "é bom demais para ser verdade" e "é a história de um garoto pobre que subiu na vida, cujas virtudes foram capturadas em close-up, mas cujos defeitos ficaram na mesa de edição". Gargalho.

- Pra completar, Pet, Adriano, Love e Leo Moura treinam e vão pro jogo amanhã.

Um brinde a tudo isso. Saúde.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A volta do futebol (finalmente!)

Ainda um pouco mexido com tristes acontecimentos ocorridos quinta e sexta passadas, e após um programado fim-de-semana off-line, retorno retomando um assunto que é muito caro a este blogueiro, e que já vinha fazendo uma falta quase insuportável: o futebol, e mais em especial, o Mengão.

O primeiro fim-de-semana futebolístico da temporada é sempre meio esquisito. É muita bola sendo maltratada pra muita vontade de ver a bola sendo bem tratada. Os atletas estão longe da melhor forma, os times ainda desentrosados, a maioria dos reforços ainda estão ausentes, fica difícil achar algum jogo que realmente preste. A torcida, ao contrário, está em cima dos cascos: encontra-se ávida, sedenta, praticamente em cólicas, desesperada por ver a bola rolar. Talvez por isso nós, tarados por futebol, consigamos encontrar genuína emoção neste emaranhado de peladas que pululam Brasilzão varonil afora.

Só vi dois jogos, sendo um meio que pela metade, neste finde. Fla x Caxias, claro, e Fluzículo x Americano. O Flu saiu-se bem melhor, passou uma descompostura no Mecanão de Campos sem dó nem piedade por três a zero, e só não deu de mais por que teve humildade em gol, como diria Jorge Benjor. Certamente poupou-se para o próximo embate contra o Bangu. Surge para mim como um fortíssimo candidato à esta Taça Guanabara: a base e o treinador foram mantidos, o time está bem montado, os reforços foram bons e já entraram jogando (destaque para este Julio César, lateral esquerdo que veio do Goiás, que é muito bola), e o time vem embalado pela campanha mágica que salvou o clube do rebaixamento no Brasileirão, dado como certo por onze entre dez analistas do ramo.

Já o Mengão cumpriu uma rotina que só surpreende a neófitos ou incautos desacostumados com os procedimentos e história rubronegras. Passamos um sufoco danado para vencer, de virada, na base da vontade, e com gol de estreante de segundo escalão, o bom time do Duque de Caxias. Quero lembrar aos desmemoriados que este mesmo Caxias cumpriu campeonato exemplar na Segundona do Brasileirão no semestre passado, terminando num honroso oitavo lugar. Estava longe, portanto, de ser uma galinha morta. E o Fla estava mais desfalcado que supermercado no Haiti. Logo, este 3 a 2, com um a menos em campo, pode ser considerado um ótimo augúrio para a temporada que se inicia. O jogo mesmo foi uma pelada safada, como era de se esperar. A presença de Leo Medeiros e Erick Flores em campo tornava impossível que qualquer coisa de alguma qualidade pudesse surgir. O primeiro tempo foi horroroso, e o Caxias só não saiu ganhando de mais, honestamente, sei lá porque. Na segunda etapa, Andrade, o melhor do Fla ontem, mexeu no time quase que cirurgicamente, diria eu com alguns toques de magia negra (e rubra). O time acordou para a vida e virou a partida em sete minutos. Jogava tão fácil que achei que ia ser de quatro ou cinco no mínimo. Foi quando Álvaro, para evitar gol certo deste tal Marcelo (provavelmente seria o septuagésimo oitavo gol dele contra a gente, o Fla deveria contratá-lo de forma vitalícia para que ele não pudesse mais jogar até passar desta para pior), passou o rodo no algoz e foi merecidamente enviado mais cedo para o chuveiro. A partir daí foi sufoco em cima de sufoco, gol de empate, e quando achávamos que a revirada era certa, o Fla acha um gol de cabeça, bonito por sinal, do estreante Fernando, cuja maior referência no currículo é ser irmão do amalucado mas talentoso meia Carlos Alberto, ex-Flu atual Asco da Gama. Daí pra frente foi só sofrer mais uns treze minutos e correr pro abraço. Mais Flamengo impossível. Quarta tem Adriano (se a bolha assassina deixar, e se nenhum parente ou amigo da Vila Cruzeiro fizer aniversário, bodas ou batizar alguém) e Vagner Love (se a burocracia deixar). E a volta de Angelim. Se cuida, Voltaço.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Cariocão 2010

Mais dez dias e a bola finalmente volta a rolar. Minha síndrome de abstinência futebolística só não está incontrolável porque ando ocupando meu tempo com outras distrações, tipo férias, tevê HD e otras cositas más. Mas o campeonato mais charmoso (olhem pra foto acima, alguma dúvida sobre isso?) do Brasil está chegando, e cheio de atrações. Com ou sem Love, pra cima deles, Mengão.