Há 25 anos, no distante 11 de janeiro de 1985, a esta mesma hora, quase meio-dia, eu me preparava, em estado de completa euforia e expectativa, para ir a um lugar do qual jamais me esqueceria. Estava no quartel, havia acabado de tirar serviço. Coturno, calça de campanha, camisa de malha Hering, cabelo e barba de dois dias, lá fui eu pegar o busum para me dirigir à Cidade do Rock. Havia finalmente chegado o dia que esperava há meses, desde que foi divulgado que, pela primeira vez na história, um festival de rock de primeira grandeza aconteceria aqui por estas bandas. Na porta do meu armário, no vestiário do quartel, havia um enorme poster-calendário, com um grande "EU VOU" no título e abaixo uma contagem regressiva dos últimos trinta dias que antecediam o "hoje". Pouco importava quem ia se apresentar mais à noite. A cidade respirava o festival, a impressão que tínhamos é que todo mundo ia estar lá. Mas a noite era sim, de gala. Hoje era dia de, simplesmente, Queen e Iron Maiden. E de quebra, dos desconhecidos Whitesnake, para muitos a grande surpresa do festival, e que passou, depois desta noite, a contar com uma legião de fanáticos seguidores por aqui, incluso nisto este blogueiro que vos escreve. Neste primeiro dia a Cidade do Rock ainda não havia virado o lendário mar de lama. Fazia um céu de brigadeiro, e o calor ardentemente carioca só podia ser parcialmente amenizado após muitos copos de Malt 90 (mais conhecida por nós como "malte nojenta"), "cerveja" oficial do evento. A primeira de minhas cinco chegadas ao complexo roqueiro é uma imagem que jamais sairá da memória. Um rio de gente bonita, sorridente, feliz, ordeira, caminhava em absoluto deslumbramento pela rua de terra que nos levava aos portões da Cidade. A primeira visão das estruturas era impressionante, o impacto emocional e visual nos deixava atordoados. Ao me aproximar das roletas, comecei a ouvir os acordes daquele hino que já sabia de cor, que me embalou pelos dez dias que seguiram, e que me emociona até hoje, toda vez que o ouço. "Todos numa direção, uma só voz, uma canção...". Foda. Passando as roletas, mais um choque: a apoteótica visão daquele inacreditável palco, coisa nunca vista antes, nem parecido, por aqui. Fiquei assombrado, me lembro de ter começado a tremer de nervoso. Isso por que eu ia só assistir. Imaginem o estado dos brazucas que iam ter que subir naquele monstro e defender as cores do rock pátrio em frente àquelas quatrocentas mil pessoas. E, lembrem, alguns deles eram praticamente da minha idade, e há bem pouco estavam, como eu, do lado de cá do palco.
O resto todo mundo já sabe e está aí, para quem quiser conhecer ou relembrar, em qualquer livro de história que se preze. Fiquem agora com um momento único, retrato absoluto e fiel de uma época, e em especial deste dia inesquecível, glorioso, um dos mais importantes da minha vida. A abertura oficial do festival, na transmissão da Rede Globo. Não se acanhem. Deixem as lágrimas descerem sem culpa.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Adivinhem se vou ler
Tardia e imperdível biografia da maior banda de rock de todos tempos, em edição de luxo, capa dura, histórias sensacionais e tudo o mais a que nós, fãs desvairados, temos direito. Cem merréis (79 na promoção da Editora Escala) obrigatórios e mais do que bem recompensados.P.S.: Já recebi meu exemplar da Escala. Vou ler e digo pra vocês depois o que achei .
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domingo, 18 de outubro de 2009
24 hour party people
Há umas três semanas recebi um e-mail marketing da Livraria Cultura de São Paulo me oferecendo o DVD "A festa nunca termina". Impressionante como esses caras sabem do que a gente gosta. Talvez o fato de ter comprado com eles um ou dois livros mais revoltados e alguns DVDs de rock tenham dado esta dica a eles. Mas, enfim, funcionou, e eu disparei meu cartão de crédito para adquirir esta pérola. Já tinha ouvido falar muito deste filme. Já tinha até visto um pedaço numa destas tevês a cabo da vida. Não me lembro de ter entrado em cartaz no Brasil, mas com certeza participou do Festival do Rio, lá por 2001, 2002. É sobre rock'n'roll. É sobre punk music. E se passa no final dos 70 início dos 80. E a história é real. Mais atraente para mim, só se fôsse pornô. Melhor dizendo, sendo tudo isso, e também pornô. Ah, e tem mais. É do Michael Winterbotton, diretor taradinho-roqueiro de "9 Songs". Garantia certa de boa música e meninas peladinhas.Devido a minha atribulada vida de varejista e blogueiro, só consegui assisti-lo hoje. Puta filme. Conta a história dos primórdios do punk, pela ótica de um de seus maiores patrocinadores, o jornalista Tony Wilson, que foi dono da histórica gravadora Factory e do night club Hacienda, grande precursor da cultura rave. O homem foi um visionário. Descobriu o Joy Division e o Happy Mondays. O filme começa no lendário show do Sex Pistols em Manchester, onde compareceram 43 pessoas, metade delas futuras mega-estrelas do rock. Filmado em estilo mezzo documentário mezzo interpretação, os 116' se desenvolvem deliciosamente, relatando passagens que entraram para a história da música. Outro charme da fita são os cameos de famosos da época, tipo o próprio Tony Wilson, Howard Devoto dos Buzzcocks, e vários outros.
Para os fãs do gênero, imperdível. Quem não gosta de rock, e muito menos de punk rock, fodam-se. Vão ver "2 Filhos de Francisco" e não me encham o saco.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
História cool
Existem pessoas, normalmente aquelas avessas à qualquer tipo de risco, que atravessam a vida inteira apenas sobrevivendo, e chegam no final sem ter feito nada memorável, nada digno de registro para ser apreciado. Triste isso. Mas tem gente que vive a vida. E estas pessoas costumam ter histórias interessantes a relatar. Essa moça da foto, de nome Lizzie Bravo, à época com dezesseis aninhos de idade, definitivamente tem uma história muito legal pra contar por aí. E se orgulhar dela. Dêem só uma olhada:http://bit.ly/TIskg
Show de bola!
domingo, 20 de setembro de 2009
Pérola escondida
Esse você vai ter que capinar na sua locadora. Provavelmente ele não vai estar na prateleira mais visível. Infelizmente. E injustamente. Este filme não fez grande sucesso. Não entendo como. Pelo elenco, pelo roteiro, pela qualidade. Enfim, sabe-se lá porque, virou aquele filme a ser descoberto por poucos. Sugiro fortemente que vocês façam parte destes poucos. O filme trata simplesmente do DNA negro do rock'n'roll. O rock é preto de raiz, branco de tronco, e todas as cores de folhagens, o que explica porque é o melhor ritmo musical que inventamos até agora. O rock é tudo. E este filme mostra como tudo começou. Beyoncé, com quilinhos a mais, no papel de Etta James, está perfeita. Adrian Brody mata a pau como o visionário Leonard Chess. E dá-lhe Muddy Waters, Little Walter, Chuck Berry, Howlin' Wolf. Bom pra caralho. Fez meu domingo ficar bonito. O que mais um filme deve aspirar?
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Quando beber, não dirija
Aqui onde eu trabalho, toda quinta e sexta-feira, invariavelmente, rola uma blitz da lei seca. Tem um monte de barzinho legal perto, os meganhas ficam só na espreita para dar o bote nos trouxas que insistem em deitar os cabelos na manguaça e achar de ir dirigindo pra casa depois. LavAVal se une aqui aos pancadeiros do Black Flag, que já sabiam do mico de juntar álcool e direção há décadas, em um serviço de utilidade pública. Deleitem-se com esta singela campanha contra a irresponsabilidade ao volante:
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Seek and destroy
Metallica anuncia show no Brasil em janeiro de 2010Em nota oficial, gravadora afirma que turnê de lançamento de Death Magnetic chega ao Brasil em janeiro
Como diria o policial Murtaugh de Máquina Mortífera, em seu antológico bordão, i'm too old for this shit. Mas vou estar lá mesmo assim. Depois me encho de Dorflex e fica tudo certo.
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