Alguém aí conhece algum historiador que me recorde qual a última vez que o Vasco ganhou do Flamengo algum jogo que valesse vaga, título, troféu, ou algo do gênero? Daqui a pouco somente arqueólogos do esporte poderão responder a esta pergunta. E olha que o Fla anda com uma preguiça incrível de jogar bola. Adriano deve ter assinado contrato com as Havaianas, há dias ele resolveu dar férias a seus pés e não há quem o faça voltar a campo. Com um meio campo coalhado de volantes e Bruno Mezenga substituindo o Imperador, o Mengão assistiu ao Asco da Gama perambular pelo campo quase que os noventa minutos. Posse de bola essa pouquíssimo traduzida em qualquer efeito prático. Como o Vagner Love joga pra gente, deu Fla. Os viceínos, sempre invejosos dos chororenses, que lhes roubaram o título de vice oficial da cidade, esguicham lágrimas pelo pênalti não marcado feito pelo Williams. A questão única que cabe aqui é: se o juiz tivesse marcado a penalidade, quem a bateria para o Bruno pegar? Bocejo ao ler os prantos cruzmaltinos. Se querem voltar a ganhar algum título, que pensem seriamente em retornar à Segundona ano que vem.
Teremos agora uma final de um ou três jogos contra o Chorafogo, que, diga-se de passagem, é o grande favorito ao título. Porquê? Então vejamos:
- Tem três chances de ser campeão. O Fla só duas, já que não pode desperdiçar a primeira;
- O Fla está batalhando em duas frentes, sendo que na Libertadores vive um momento de vida ou morte, com uma partida decisiva no Chile na quarta-feira próxima. O Botafogo, devido a façanha de ter sido eliminado da Copa do Brasil em casa por um time da quarta divisão, tem nessa série de jogos sua última chance de ser campeão no ano;
- O Fla levou as três últimas. É estatisticamente improvável que ganhe uma quarta consecutiva, até porque isso nos daria um inédito tetracampeonato, que já deixamos escapar por cinco vezes.
A favor, temos dois fatos: o time do Fla é melhor que o do Botafogo, indiscutivelmente. E os chororenses, cachorros escaldados de outros fracassos, se pelam de medo do Mengão Fuderosão, fato esse também incontestável. Portanto podem muito bem, como já o fizeram em outras partidas, tremer feito vara alvinegra, colar as placas, e deixarem seu favoritismo escorrer como fezes líquidas pelas fraldas plásticas que certamente precisarão usar quando entrarem em campo no próximo domingo.
Não estou muito otimista, mas temos chances. Pra cima deles, Flamengo.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
domingo, 19 de julho de 2009
Imortal
Levei ontem à noite um bom amigo que fiz recentemente, e que mora em Paris, ao meu bar predileto. Predileto desde sempre, e que felizmente ainda está lá, vivo e próspero, no mesmo lugar, ecoando alto o mesmo velho e bom roquenrou. Não há como ter muita certeza, minha memória já corroída pelo álcool não me permite nenhuma precisão. Mas segundo estudos arqueológicos feitos com ajuda de carbono 14 podemos estimar que conheço o Empório há, pelo menos, vinte e cinco anos. Já escrevi algumas vezes sobre este bar. Até no meu livro ele está - sim, escrevi um livro, ele existe, é real, pode-se pegar nele, chama-se Perturbados, e ninguém leu. Voltando ao Empório, ele faz parte da minha vida, como uma doença crônica. Não enxergo minha existência sem ele. Vou lá pouco: na média de uma vez por mês. Mas não posso deixar de ir. São minhas doses medicinais e regulares de Empório, recomendadas para que eu mantenha a sanidade neste mundo de pagodes, axés, forrós, funks, pancadões e outras "músicas" que se ouvem com os quadris, não com os ouvidos.Pouca coisa mudou no Empório nestes anos todos. Agora ele é laranja; não era, mas também não me lembro de sua cor original. O chopp melhorou, até porque piorar seria impossível. O chopp do Empório nos velhos tempos pode ser considerado um dos dez piores da história dos chopps. Para terem uma idéia, era Kaiser. E quente. Intragável. Não fôssem as maravilhosas garçonetes que invariavelmente transportavam o veneno de lá pra cá, jamais mereceria ser consumido. Digressiono. Meu assunto aqui é mais específico do que velhas reminiscências. Hoje quero falar do Vicente. Afinal, o que é o Vicente?
Para as três pessoas no Rio de Janeiro que ainda não o conhecem, aquela figura assustadora da foto acima é o Vicente. Desde o início dos tempos esta peça é o gerente do Empório. Desconfio seriamente que ele já era gerente do Empório antes mesmo do Empório existir. Muita gente diz que ele é a cara do Empório. Ledo engano. O Empório que é a cara dele. O Vicente está ali, encruado, do granito das mesas às bundinhas das garçonetes. É nosso eterno homem de preto. Jamais o vi envergando outra cor. No impensável dia em que ele, num ato desesperado, viesse a vestir algo, suprema heresia, branco, a ordem natural das coisas seria subvertida, não sei se o planeta suportaria.
Se já não tivesse encontrado Vicente à luz do dia - sim, aconteceu uma vez - teria sérias suspeitas de que ele é um vampiro, tal sua longevidade e estado de conservação. Vampiro do bem, tipo os bonzinhos de Crepúsculo. Hei, eles andam à luz do dia! Quem sabe? Outra teoria é que ele é um Highlander. Praticamente posso ver a cena: Connor MacLeod irrompendo o Empório atrás do Vicente, brandindo sua espada espanhola e gritando "There can be only one!"
Vida longa ao inesgotável Vicente e a seu bar espetacular. Lá, me sinto mais eu do que em qualquer outro lugar.
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