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domingo, 27 de dezembro de 2009

Resolução de ano novo

Finalmente superado o natal, que deu-se longe de ser excruciante como inicialmente eu imaginava, chegou a hora de curtir a passagem de ano, essa sim, uma data que me agrada. Esta agora, em especial, pois vai marcar o início de um curto mas extremamente necessário período de férias. Minha atividade principal nestes breves 13 dias será coçar o saco, literal e metaforicamente falando. Mas como só preciso de uma das mãos para fazer isto, posso eventualmente usar a outra para realizar alguma coisa mais construtiva.

Estou em forte débito comigo mesmo. Pretendo quitá-lo nestes dias de ócio. Possuo débito com outras pessoas e entidades também, mas estas vão ter que esperar mais um pouco. No momento, a questão mais urgente é esta:

Tem dez livros aí. Aproximadamente 3000 páginas, avaliadas em cerca de 450 reais. Todos eles encontram-se confortavelmente instalados em minha prateleira. Alguns em absoluto descanso desde sua chegada. Sete deles já foram levemente incomodados, mas nada que deixasse qualquer sinal aparente de uso. Estou envergonhado com esta situação. Olho para eles todos os dias e não consigo disfarçar meu embaraço. Fico imaginando o que não falam de mim quando viro as costas. Poderia colocar a culpa nas excelentes atrações disponíveis em meu vasto repertório de canais de tevê a cabo, mas, no fim das contas, quem exerce a opção de escolha entre a estante e o controle remoto sou eu. Resolvi, então, aproveitar o máximo deste tempo reduzindo ao mínimo este deficit intelectual. Vou precisar de muita disciplina. As tentações estão aí, à minha volta. A tevê e o boteco exercem sobre mim um fascínio difícil de resistir. Terei que provar nestas férias que sou um homem, não um rato. Só um fraco é incapaz de atingir seus objetivos. Se não tirar pelo menos seis destes livros desta lista, declaro-me publicamente um fracassado, e, como punição, impigirei-me um autoflagelo cruel: ver no mínimo uma hora diária de tevê aberta durante uma semana. Não contarão como programas válidos telejornais, filmes, seriados ou qualquer coisa relacionada a esporte. A possibilidade de ter que assistir o programa da Luciana Gimenez ou a novela das nove me parece um incentivo mais que suficiente para que eu cumpra minha tarefa. Desejem-me sorte.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Confissões de um cramulhão

Meio emputecido com o longevo sucesso editorial da publicação de seu maior adversário, a Bíblia Sagrada, o Demo resolveu ele mesmo colocar suas palpitantes memórias no papel e tentar a sorte nas prateleiras das livrarias e melhores sites de e-commerce. Vejam uma pala da genial resenha desta obra-prima feita pelo site No Limits:

"Não é apenas Deus que nos observa. Seu principal concorrente, que de besta não tem nada, andou fazendo anotações sobre a vida humana e pretende desbancar em número de vendas o livro do adversário, a Bíblia Sagrada. As revelações do coisa-ruim estão reunidas no Diário do Diabo, obra que mostra, de forma bem humorada (muitas vezes sarcástica), que bondade e maldade são mera questão comercial."

Já confirmado como um dos próximos da minha lista de leituras.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Desaparecido

Sumi por inéditos quatro dias deste blog. Culpa de vários excessos em minha vida. Excessos de um fim de semana desnecessariamente exagerado. Que me resultou em um excesso de horas de insônia. Excesso de sono ontem e de trabalho hoje. Mas, especial e primordialmente, culpa do excesso de gols que o Bruno anda tendo que buscar dentro das redes do Flamengo, o que está tirando um pouco da minha alegria de viver. Enquanto o Fla continuar nesta míngua, está difícil de achar graça em alguma coisa. Não consigo ler um jornal ou site sequer que faça menção à esportes sem ter ganas incontroláveis de construir um artefato caseiro capaz de mandar pelos ares a metade da sede da Gávea que possui vista para a Lagoa. Para terem uma idéia, nem o Lula está conseguindo me irritar mais que o Flamengo. E olhem que ele tenta à vera, a todo momento.

Quando estou assim, me conheço, o melhor que faço é ficar quieto no meu canto. Antipático é muito pouco para o bicho que eu viro. Fico, essencialmente, calado. Muito calado. Diria até mudo, não fossem os eventuais resmungos e imprecações. Quando me obrigam a falar, a constituir frases, o que não é exatamente uma tarefa fácil, porque neste estado de mau humor tendo a ignorar as pessoas muito mais do que já faço normalmente, sou seco, sucinto, monossilábico. Quase rude. Por vezes, grosseiro. Posso chegar a intratável e corrosivo dependendo da pessoa que me aborda ou o tamanho da irrelevância do tema envolvido. Deve haver medicação para esse tipo de comportamento. Sugiro fortemente que as pessoas que estão obrigadas a conviver comigo descubram qual é o mais rápido que puderem. Se por acaso me recusar a tomar, autorizo aqui, por escrito, o uso da força. Vou saber entender depois que eu retomar a sanidade e a capacidade de conviver em sociedade.

Já que, por tudo aqui colocado, navegar pela internet ou assistir ao Sportv está fora de questão, busco no prazer solitário da literatura um alento para seguir vivendo. Estou lendo um livrinho safado de engraçado que recomendo em especial a meus amigos machos do sexo masculino:

É a história de um cara que, ao tomar um balão da esposa, despiroca geral e resolve tirar um ano sabático, fazendo o que todo homem que se orgulha das próprias calças deveria fazer pelo menos uma vez na vida: beber até cair na Irlanda; jogar até falir (ou até ganhar um troco, se der muita sorte) em Vegas; e trepar até a última gota na Tailândia. O autor é roteirista de sitcom na America; é um mestre, portanto, na arte de fazer rir a cada linha, usando e abusando de tiradas espertas e metáforas absurdas. Comecei a lê-lo no domingo, logo no intervalo do vexame contra o Avaí (sim, nem vi o segundo tempo, antevendo o desastre), e só não vou terminar hoje porque tem rodada dupla e episódio final de Fringe na Warner. Como nem só de letras e lágrimas vive um homem, dedicarei um pouco do meu exíguo tempo aos mistérios de JJ Abrams, bem acompanhado por alguns petisquetes de gente besta e birita de boa qualidade. Quem sabe acordo pela manhã com o humor renovado. E que ele dure pelo menos até a hora do patético Fla x Flu que será "disputado" à noite no Maraca.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

De onde vêm os bebês?

Essa é ótima, recebi dia destes por e-mail . Vejam só que barato o pragmatismo e a objetividade alemãs estampados neste livro de educação sexual para crianças. Sutil como um hipopótamo laranja num telhado de zinco.


Sensacional. É este jeitinho racional de ser que fazem deles um dos povos mais desenvolvidos do planeta.

domingo, 16 de agosto de 2009

Livros

Uma amiga me mandou um convite - e aí Flavinha, tudo bem? - para eu entrar no Skoob. Para quem não conhece, é uma rede social que gira em torno de literatura. Bem, eu adoro livros. Me chamar para uma coisa dessas é como perguntar a uma criança se ela quer ir a uma loja da Toys 'R' Us. Aceitei o gentil convite e me entreti, durante umas duas horas, montando a minha estante. Primeiro entrei com os livros mais recentemente adquiridos, dentre os quais alguns ainda não lidos. Depois fui fazendo a busca por autores preferidos e mais conhecidos. Em seguida fiz uma espécie de retrospectiva de minha relação com a literatura, e fui rebuscar os primórdios - catei "A turma do posto quatro", o "Escaravelho do Diabo", e vim andando de trás pra frente. De repente, bateu aquele sentimento. Não sei se vocês o têm. Eu tenho, e é violento. Após o livro 254, percebi que, por mais que fuçasse, sempre haveria mais livros por ler do que os já lidos. Tenho este sentimento todas vezes em que entro em uma biblioteca, ou mesmo numa livraria mais parruda. Não há como não me sentir um ignorante. Jamais li muita gente absolutamente consagrada. Envergonhado, citarei alguns: Falkner, Hemingway, London, Fitzgerald, Whitman, Mailer, Capote, só para ficar nos clássicos americanos. Philip Roth e Raymond Chandler tenho certeza que li, mas não consegui lembrar os livros. Culpo muito o cinema por isto. Não li "Ardil 22" nem "O Grande Gatsby", frequentadores certos de qualquer lista dos maiores livros de todos os tempos. Mas vi os filmes. Até caras que respeito e me identifico profundamente, negligenciei; Nick Hornby (O Grande Garoto e Alta Fidelidade) e Chuck Palahniuk (Clube da Luta) são os maiores exemplos. Se for falar de bestsellers então, aí é um verdadeiro massacre: não li nenhum Harry Potter, nem nada da série Crepúsculo. Nada de Tom "Caçada ao Outubro Vermelho" Clancy, nem de John "A Firma" Grisham. Ainda tenho algum tempo pela frente para me retratar com alguns dos gênios supracitados. Mas jamais será suficiente. Quem manda assinar Telecine e HBO?

P.S.: Quem tiver curiosidade em saber o que ando lendo, clique aqui:
http://www.skoob.com.br/usuario/mostrar/30871/usuario